
“Desde criança tive a tendência para criar em meu torno um mundo fictício, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existiram. (Não sei, bem entendido, se realmente não existiram, ou se sou eu que não existo. Nestas cousas, como em todas, não devemos ser dogmáticos.)” [Fernando Pessoa em carta a Casais Monteiro]
Escrever um post sobre Fernando Pessoa é tarefa dificílima, já que ele não é um – é vários. Mas a ideia do post não é repetir o tão-já-sabido sobre ele e seus heterônimos. É ler trechos da carta a Adolfo Casais Monteiro. LEIA AQUI . Acredito que a leitura da carta torna o autor ainda mais apaixonante – mesmo sabendo que ela pode ser apenas uma “simulação” (palavra que usa tantas vezes), uma máscara.
Na carta, Pessoa tenta responder, verdadeiramente ou não – nunca se saberá – às perguntas a respeito da origem de seus heterônimos. Assim, o autor remonta sua infância até seu primeiro “conhecido inexistente” Chevalier de Pas, com quem trocava cartas. “E assim arranjei, e propaguei, vários amigos e conhecidos que nunca existiram, mas que ainda hoje, a perto de trinta anos de distância, oiço, sinto, vejo. Repito: oiço, sinto, vejo… E tenho saudades deles.”
Conta de maneira absolutamente frenética (“estou escrevendo depressa, e quando escrevo depressa não sou muito lúcido”) como surgiram os nossos mais famosos heterônimos – Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Ricardo Reis: “E o que se seguiu foi o aparecimento de alguém em mim, a quem dei desde logo o nome de Alberto Caeiro. Desculpe-me o absurdo da frase: aparecera em mim o meu mestre.” E não só isso. Narra seus nascimentos e mortes, profissões e físico. “Nesta altura estará o Casais Monteiro pensando que má sorte o fez cair, por leitura, em meio de um manicómio”.
“Seja como for, a origem mental dos meus heterônimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação. Estes fenómenos – felizmente para mim e para os outros – mentalizaram-se em mim; quero dizer, não se manifestam na minha vida prática, exterior e de contato com outros; fazem explosão para dentro e vivo-os eu a sós comigo”.
Já ficou evidente que a leitura da carta toda é necessária (e excelente!). Mais que isso eu acabaria por estragar a genialidade do autor e da carta. Carta que na dúvida se verdadeira ou se máscara, traduz, por fim, toda essas personalidades que têm Pessoa dentro de si. Porque Pessoa têm. No plural. Plural como o universo.
“A origem dos meus heterónimos é o fundo traço de histeria que existe em mim. Não sei se sou simplesmente histérico, se sou, mais propriamente, um histero-neurasténico.”
Na carta, Pessoa tenta responder, verdadeiramente ou não – nunca se saberá – às perguntas a respeito da origem de seus heterônimos. Assim, o autor remonta sua infância até seu primeiro “conhecido inexistente” Chevalier de Pas, com quem trocava cartas. “E assim arranjei, e propaguei, vários amigos e conhecidos que nunca existiram, mas que ainda hoje, a perto de trinta anos de distância, oiço, sinto, vejo. Repito: oiço, sinto, vejo… E tenho saudades deles.”
Conta de maneira absolutamente frenética (“estou escrevendo depressa, e quando escrevo depressa não sou muito lúcido”) como surgiram os nossos mais famosos heterônimos – Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Ricardo Reis: “E o que se seguiu foi o aparecimento de alguém em mim, a quem dei desde logo o nome de Alberto Caeiro. Desculpe-me o absurdo da frase: aparecera em mim o meu mestre.” E não só isso. Narra seus nascimentos e mortes, profissões e físico. “Nesta altura estará o Casais Monteiro pensando que má sorte o fez cair, por leitura, em meio de um manicómio”.
“Seja como for, a origem mental dos meus heterônimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação. Estes fenómenos – felizmente para mim e para os outros – mentalizaram-se em mim; quero dizer, não se manifestam na minha vida prática, exterior e de contato com outros; fazem explosão para dentro e vivo-os eu a sós comigo”.
Já ficou evidente que a leitura da carta toda é necessária (e excelente!). Mais que isso eu acabaria por estragar a genialidade do autor e da carta. Carta que na dúvida se verdadeira ou se máscara, traduz, por fim, toda essas personalidades que têm Pessoa dentro de si. Porque Pessoa têm. No plural. Plural como o universo.
“A origem dos meus heterónimos é o fundo traço de histeria que existe em mim. Não sei se sou simplesmente histérico, se sou, mais propriamente, um histero-neurasténico.”
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